segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Aaron

 


Aaron nasceu em uma pequena vila élfica, escondida de outras civilizações. Seu pai era um guarda-florestal e mestre arqueiro, um homem de honra e disciplina, responsável por proteger as fronteiras da vila. Sua mãe era uma curandeira. Desde pequeno, Aaron se sentia atraído pelo brilho do ouro e pelo valor de coisas caras. Ele desviava seu olhar das coisas comuns que a vida oferecia e focava completamente em bens materiais, vendo no dinheiro a solução para todos os seus problemas. O desejo de possuir cada vez mais o corrompeu, desviando-o dos ensinamentos de seus pais.

Aos dezesseis anos, pressionado pela vergonha de não corresponder às expectativas familiares, Aaron tornou-se vulnerável aos perigos do mundo: um mercador que passava pela vila lhe ofereceu dinheiro em troca de um “serviço” que era completamente contra sua moral e tudo que lhe tinha sido ensinado desde o começo de sua vida. Mas para Aaron, a oferta era a chance de ter tudo o que ele sempre sonhou, mais dinheiro e poder. Então, sem pensar nas consequências, ele aceitou. Naquela mesma noite, sem pensar muito no que estava fazendo, Aaron fez algo que mudaria sua vida completamente: ele emboscou e matou um homem a pedido do mercador. Fez isso pensando unicamente no pagamento. O trabalho foi feito, limpo e eficiente. Porém, o pagamento não veio. Apenas desculpas esfarrapadas vindas do mercador antes de ele fugir sem cumprir sua parte do acordo. A notícia do assassinato chegou à vila tão rápido quanto aconteceu. Quando a verdade vazou, não apenas sobre o crime, mas quem o fez e os motivos mesquinhos que o guiaram a fazer tal coisa, Aaron foi desprezado por todos da vila. Os aldeões, sentindo-se traídos, o acusaram de vender sua moral por uma pequena quantia de moedas. O mercador? Desapareceu. E Aaron, que acreditou poder comprar respeito com ouro, perdeu tudo: família, lar e sua inocência.

O silêncio que se seguiu depois de tudo foi ainda pior. As vozes que antes o aconselhavam agora o julgavam, e o sentimento persistente de culpa dentro dele o corroía. Mas aquela vontade dentro dele ainda não tinha sido enterrada: Aaron precisava de mais e mais riquezas. Ele cresceu cego pelo dinheiro e por bens materiais, roubando pela sua própria sobrevivência, mas também por prazer.

Agora, aos 26 anos, Aaron foi chamado a Lunarfall, uma guarnição em declínio, por um grupo de jovens aventureiros. Ele foi chamado por um único motivo: mudar de vida. Naquela cidade, ele estava disposto a fazer qualquer missão que o pagasse bem. Sua única motivação era acumular riqueza para não ter que depender de ninguém, por mais que no fundo ele desejasse redenção, ele não conseguia resistir à vantagem do ganho material.

Às vezes, quando o vento sopra das florestas, Aaron sente um arrepio. Ele pensa nos pais que nunca mais verá, na vila que o repudia até hoje e no homem que matou por dinheiro. Mas o som do tilintar das moedas em sua bolsa logo abafa a culpa.


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