sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Temporada 02 , Capítulo 02

Na visão do ANÃO:

Saímos daquele subterrâneo carregando cansaço, cheiro de sangue velho e a estranha sensação de termos visto apenas a superfície do mal que habitava o lugar. O culto do amanhecer... o nome continuava ecoando na minha cabeça como marteladas irregulares. Quando retornamos ao cemitério, percebi uma presença que não deveria estar ali. O ar ficou pesado, o vento parou, e então o vi: um corpo montado sobre um cavalo espectral, mas sem cabeça. O cavaleiro sem cabeça. Antes que eu pudesse erguer meu martelo, ele lançou abóboras com encantadas contra nós. Cada uma acendeu uma luz que não era luz, e em segundos nossos corpos começaram a se mover sem permissão, dançando como fantoches. Horas presas naquele delírio, como se o riso invisível daquele espírito zombasse do nosso esforço.

Quando finalmente fomos libertos, ou quando aquilo decidiu nos largar, voltamos à taverna. Eu me sentia exausto, envergonhado e irritado. Almoçamos, mas a comida parecia cinza na boca. Depois segui até a cidade para encontrar o ferreiro local. Era um homem habilidoso, do tipo que trata o metal como amigo e não ferramenta. Ele me mostrou o molde de uma armadura que estava construindo e senti o coração apertar. Era bela, equilibrada, digna. Dava até para imaginar o som da bigorna que moldou cada placa. Mas quando o ferreiro disse o preço, percebi que não havia como comprá-la. Dinheiro nunca foi minha motivação, e mesmo assim senti um peso estranho, como se estivesse decepcionando a mim e aos meus mortos.

Ficamos conversando por um tempo. Ele mencionou meu pai, Tulinho, e como era conhecido por sua resistência e teimosia. Falar disso reacendeu memórias que eu mantinha guardadas sob camadas de fuligem. Voltei para a taverna com a mente cheia e o peito apertado.
Foi então que o céu escureceu de maneira antinatural. Moradores correram, portas se fecharam, animais foram recolhidos. A tormenta estava chegando. Era como se o próprio mundo respirasse mais fundo antes de gritar. Um dos nossos companheiros nos mostrou um mapa, procurando alguém chamado José. Sem saber se íamos atrás de um homem, uma pista ou um problema, seguimos.
O mapa nos levou a um acampamento tomado pela neve. No instante em que pisei no gelo, senti algo esfriar dentro de mim. Não o frio normal da montanha, mas um gelo que parecia vir de dentro, como se apagassem temporariamente as brasas da minha fé. O silêncio era quase agressivo. Quando chegamos ao centro do acampamento, encontramos sangue espalhado, manchas arrastadas, marcas que denunciavam desespero. E então, vozes. Não eram sussurros normais, eram como rezas invertidas. O culto do amanhecer estava ali, ou o que havia sobrado dele.

Vimos uma pequena casa, quase soterrada pela neve. Entramos preparados para o pior. Lá dentro, encontramos uma figura curvada sobre pergaminhos e frascos, alguma mistura entre feiticeiro, bruxo e necromante. Seus olhos brilhavam como brasas fenecidas, e enquanto tentávamos entender o que era, ele fez um gesto que trouxe vida ao que deveria ficar no escuro. Aranhas surgiram, grandes, rápidas, com olhos brilhantes e presas sujas. Elas avançaram, e naquele momento puxei meu martelo, sentindo as cicatrizes queimarem sob as correntes.
A chama dentro de mim acordou. Era hora de lutar.

Na Visão do ELFO:

Decidimos sair do cemitério depois de ter matado o esqueleto. Já tínhamos a cabeça dele, então iríamos sair para conseguir a nossa recompensa por tê-lo matado. Era por volta das 11 horas da noite quando saímos e percebemos que tinha algo errado. Ouvimos uma risada estranha ao longe e havia uma criatura estranha que tacava abóboras na gente. Tentamos derrotá-lo, mas ele lançou um feitiço em todos nós que nos fez ficar dançando até amanhecer. Pela manhã, Klunk já tinha ido até a cidade e recebido a recompensa pela cabeça do esqueleto. Ele dividiu o dinheiro entre nós de uma forma não muito justa, mas eu aceitei, e fomos para a cidade porque passamos o dia anterior fora e precisávamos comer. Ao chegar na cidade, eu não fui direto à taverna. Fui até o grande painel cheio de missões que ficava no centro da cidade e peguei um folheto que chamou a minha atenção: "José, cadê você?" estava escrito no folheto da missão, e a recompensa era 1000 moedas de ouro. Era a missão que pagava melhor e por esse motivo chamou minha atenção. A missão consistia em procurar esse cara chamado José que aparentemente se perdeu no cemitério. Parecia bem fácil para mim. Logo fui atrás do grupo para sugerir que fizéssemos aquela missão, e assim que cheguei à taverna pude ver o caos naquele lugar. Havia pessoas correndo para todo lado e gritando frases desconexas. A única coisa que consegui entender era que uma tal de "tormenta" estava chegando. Fui até o grupo, que estava todo reunido na taverna, e expliquei a eles a missão e disse para irmos atrás do José e fugir da tormenta. Todos concordaram e então fomos ao cemitério. Seguindo o mapa muito bem desenhado por Klunk, chegamos a um campo aberto e, ao longe, era possível observar uma mansão. Escolhemos entrar nela para procurar o José. Durante o caminho, pude ouvir vozes falando comigo e não vou negar que fiquei com muito medo. O chão ficou vermelho, era como se estivéssemos pisando em sangue. Ao entrar na mansão, senti um forte cheiro de madeira mofada, como se o lugar estivesse abandonado há muito tempo. Do nada, um homem esquisito apareceu na nossa frente perguntando o que queríamos ali. Assim que eu expliquei que estávamos procurando José, ele nos mandou embora dizendo que José não estava ali, mas eu duvido muito que ele tenha falado a verdade e nós vamos continuar na mansão até acharmos José.

Na visão do MEIO-ELFO:

Pela graça de Lord Angus, após conseguirmos derrotar aquele mago nefasto, saímos em busca de voltar a Lunarfall; porém, ao deixarmos aquele cemitério horroroso, encontramos uma figura misteriosa que não tinha cabeça, o que me deixou intrigado, pois o anão de nosso grupo disse que se tratava do “Cavaleiro Sem Cabeça”, um morto-vivo antigo que só aparecia no mês de outubro para atormentar os vivos que vagam pela terra. Após aquela criatura hostil atacar meus amigos, mesmo que nós, meros pecadores, não sejamos realmente merecedores da graça de Lord Angus, pedi a ele que nos ajudasse, pois nenhum mal deve vagar por nossa terra protegida. Tentei expulsar o morto-vivo, mas preciso admitir que ele era um guerreiro destemido, pois mesmo que meu poder tenha feito seu braço evaporar em uma espécie de poeira, ele apenas voltou a gargalhar de forma assustadora e ainda lançou uma abóbora com uma vela em minha direção, fazendo-me dançar incontrolavelmente. Infelizmente, ninguém conseguiu derrotá-lo e teremos de esperar até a próxima noite de outubro. Depois de dançarmos a noite inteira, exaustos, retornamos a Lunarfall, fomos à taberna para comer e dormir, e assim se encerrava nosso dia. Ao despertar, finalmente descansado, fiz minhas preces a Lord Angus, pedindo bênçãos e proteção para mais um dia, e como Seu melhor servo e seguidor, aquele que pode guiar todos para a verdade, Ele me abençoou com Sua luz verde e Seu hino magnífico. Vesti minha armadura, paguei o atalaia da taberna e fui procurar meu amigo eladrin, aquele do nome estranho e cabelo engraçado, combinando de encontrarmos o resto do grupo para ver se havia alguma missão pendente e, de preferência, bem recompensada. Encontrei o pequenininho junto de Klunk, o Grande, contei minha ideia e eles concordaram desde que eu pagasse uma refeição a todos, o que fiz de imediato. Com o grupo reunido, descobrimos que um de nós encontrara um folheto sobre um tal de Juzé, desaparecido, cuja recompensa por encontrá-lo era de “miu” peças de ouro, apesar da grafia ridícula. Totalmente equipados, seguimos o mapa no verso do cartaz e, após muito chão, encontramos uma placa velha e ilegível; sem outra opção além de seguir o mapa, avançamos. Ao pisarmos no solo, percebemos que era uma gosma vermelha, quase um sangue consciente, e mais à frente havia um castelo lindo e assustador. Assim que o vi, lembrei-me dos estudos de clérigo: era muito semelhante ao Crepúsculo do Amanhecer, um culto antigo de indivíduos perturbados que veneram deuses há muito aprisionados por Lord Angus, hoje esquecidos, mas ainda adorados por criaturas degeneradas. Avistei o perigo e alertei o grupo para termos cautela. Entramos no castelo e vimos um ser misterioso no topo das escadas que nos perguntou o que fazíamos ali; a cada piscar de olhos, ele se aproximava, teletransportando-se cada vez mais perto. Mesmo respondendo calmamente, não o convencemos, e ele simplesmente desapareceu, até que criaturas semelhantes a aranhas gigantes surgiram e tentaram nos atacar. Mas, se a graça de Lord Angus estiver conosco, estaremos protegidos.

Na visão do ELADRIN:

Saímos do mausoléu rumo à taberna, tomados por uma fome avassaladora. No entanto, um infortunio ocorreu. No caminho surgiu uma figura aterradora: um cavaleiro sem cabeça, envolto por uma aura espectral, arremessando abóboras encantadas com um feitiço tão bizarro que nos fez dançar contra a própria vontade. Após algum tempo nessa humilhação, a montaria sombria do cavaleiro surgiu das sombras, o colocou sobre o selim e ambos desapareceram na distância como um pesadelo fugidio.

Exaustos, retomamos a marcha até a taberna e, assim que nos alimentamos, o sono nos dominou por completo e subimos aos quartos da taberna para dormimos ali mesmo. Passei a manhã inteira em estudos profundos, mergulhado em pergaminhos e anotações antigas, até que, já perto do meio-dia, deixei o quarto para sentir o calor do sol e clarear a mente.

Mais tarde, eu e meus companheiros nos reunimos para analisar uma nova missão encontrada em um cartaz. O objetivo era localizar alguém chamado Juzè, um nome tão peculiar quanto intrigante. Logo abaixo havia um desenho tosco de um pequenino feito de palitinhos e, no verso do papel, um resquício de mapa mal rabiscado. Mesmo com tão poucas informações, decidimos partir, movidos pela curiosidade e pela promessa de aventura.

Após uma longa caminhada, chegamos diante de um castelo imponente, embora apareentemente abandonado, atravessamos seu portão silencioso e, assim que entramos, uma criatura que se movia feito um vulto, teletransportando-se de canto em canto, surgiu diante de nós. Sua postura indicava que não apreciava nossa presença, num piscar de olhos, ele desapareceu, dando lugar a um enxame de aranhas gigantes, cada uma do tamanho de um cão adulto, rastejando em nossa direção com passos inquietantes...

Na visão do HALFLING:

Depois do cemitério resolvemos voltar onde iríamos nos alimentar e dormir por todos estavam cansados exaustos e famintos então quando estávamos saindo do cemitério encontramos um homem de canto ele estava não tinha cabeça mas não conseguimos ver então certamente com o seu cavalo ele começa a vir em nossa direção voou eu estava em cima de um amigo meu porém ele me joga a abóbora em cima da cabeça logo após não lembro de nada lembro-me só de acordar no dia seguinte porém meus colegas me disseram que eu dancei a noite toda não me lembro do que pode ter ocasionado isso só lembro de ter apagado e no outro dia ter acordado no outro dia logo pela manhã depois acordamos e voltamos para onde conseguimos dinheiro pela cabeça do monstro derrotado e conseguimos dormir e comer no outro dia resolvemos voltar para uma nova missão aonde está um menino não me recordo o nome desaparecido entre o cemitério e um lugar misterioso fomos até lá entramos em uma casa assustadora parecendo uma casa fantasma abandonada não pelo tempo mas sim por pessoas entramos casa dentro e logo após nos derraparmos com um homem um senhor acima das escadas pedindo o que nós estávamos fazendo nós como errados entramos sem nem pensar então o homem fica até transportando para trás frente até lado de nós e pedindo que nós estamos fazendo aí isso nos deixou com medo mas de repente seis aranhas brotam tamanho de cachorros aranhas enormes vindo em nossa direção a atacar que será que vai acontecer agora

Na visão do GOLIAS :

Klunk foi pra cima e achou um homem sentado num cavalo, ele joga abobora no Kluck , e Klunk dorme, Klunk acorda vai receber premio por que Klunk e poderoso, e Klunk volta pra dividir grana com amigos, por que Klunk e benevolente, e Klunk dorme, por que Klunk tava cansado , Klunk acorda vai ajudar amigos e vai comer, Klunk faz poção por que Klunk e boticário do bom, Klunk mata e destrói e vai ajudar. Klunk coloca recado no mural , por que amigos não iam entender se Klunk fala-se que quer ir atrás de vampiro, Klunk o poderoso consegue que os amigos vai atrás de vampiro e Klunk agora tá indo matar o vampiro chato.


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Conselho dos Sete irmãos

 Lord Angus tem sete irmãos , deuses menores que o seguem e o ajudam, são eles : 

Lord Angus (Paladino 20 e Cavaleiro 20) - senhor do castelo de Ônix
Lord Argus (Paladino 20 e Clérigo 20) - senhor do castelo de Hematita
Lord Aicus (Paladino 20 e Guerreiro 20) - senhor do castelo de Rubi
Lord Duncan (Paladino 20 e Warlord 20) - senhor do castelo de Safira
Lord Byron (Paladino 20 e Monge 20) - senhor do castelo de Âmbar
Lord Fhelipp (Paladino 20 e Sacerdote 20) - senhor do castelo de Cristal
Lord Sean (Paladino 20 e Patrulheiro 20) - senhor do castelo de Opala

As Ordens:

Ordem da Mão – a maior ordem do reino, aceita todo tipo de indivíduo, a única restrição e lutar contra os inimigos dos “sete irmãos”

Ordem da Espada – esta ordem e responsável pela vigilância ostensiva no mundo, os que entram nesta ordem sabem que tem futuro incerto, podem morrer a qualquer momento, mais são os mais honrados das ordens , mantendo um título visto pelas populações de “heróis”.

Ordem do Martelo – ordem que serve como jurisprudência onde não existe, juízes e juri, e ate mesmo como executores (último caso).

Ordem do Escudo – esta ordem e responsável pelas defesas de castelos, cidades, fortalezas, cidadelas, hospitais e igrejas (esta ordem e a mais comum entre os que não querem muita agitação).



terça-feira, 11 de novembro de 2025

Temporada 02 , Capítulo 01

 Na visão do ANÂO

Fui enviado a Lunarfall com uma missão simples na minha cabeça, quase burocrática. Verificar um novo módulo de ferraria, conversar com ferreiros, checar medidas. Carregava o martelo do mestre Odran e as correntes que eram promessa mais do que punição. Ainda sentia o peso do Pulmão de Ferro no peito e o gosto do fogo antigo nas lembranças. Não esperava que aquela noite fosse virar prova de fé.
A taverna estava cheia como ombro de forja em dia de entrega. Sentei-me no balcão como sempre faço, calmo e atento às faíscas das conversas. Foi quando senti calor demais, de dentro para fora, como se a forja tivesse nascido de novo dentro do meu peito. Em segundos comecei a arder. Não sei se foi bênção ou maldição, apenas senti a carne lembrando o juramento. Um goliath enorme chamado Klunk reagiu mais rápido que muitos no meu passado. Pegou-me, carregou-me até um bebedouro de porcos e me submergiu. A água fria apagou o fogo, e eu pude ouvir o tilintar do metal no meu corpo com novo significado.
Klunk riu daqueles que chamam fogo de sofrimento, deu palmadas nas minhas costas e, surpreendentemente, convidou-me para um grupo. Havia mais quatro figuras, cada uma com cicatrizes e intenções distintas. Aceitei. O chamado para proteger e purgar ainda me movia. Seguimos para um cemitério nos arredores, Klunk consultando um mapa todo rabiscado com X e tracinhos como se todos os caminhos fossem feitos de piadas. Demos voltas e voltas, ouvindo as pedras sussurrarem sob os pés, até encontrar um caminho devastado levando para baixo.
Entramos por um túnel que descia como garganta de uma montanha. A escuridão era espessa, mas enxergamos, eu mais por hábito do que por alguma graça. Em um momento de distração, bati o cabo do meu martelo no próprio pé. A dor me lembrou que sou de carne e metal ao mesmo tempo, que não só forjo juramentos, mas os carrego. Segui adiante com o pé latejando, sentindo cada passo como se autorizasse minha própria promessa.
No fundo do túnel encontramos algo que feriu o espírito. Um esqueleto inteiro, vestido com armadura antiga, ergueu-se sobre um rio de sangue que cortava a cripta, com duas pontes arqueadas sobre ele. O silêncio ali tinha peso. O menor entre nós, alguém de voz firme mas aparência frágil, aproximou-se e, por razões que só o desespero explica, intimidou o que parecia um senhor das trevas. Vi a coragem onde meus martelos aprenderam a ser compassivos.
Quando tentei atacar, perdi o equilíbrio e cai no rio de sangue. A água era fria como cinzas e vinha com a sensação de levar mais do que o corpo. Quase nunca senti a morte tão de perto; era como se as cicatrizes na minha pele lembrassem cada fio de promessa que eu tinha. Comecei a sucumbir, respiração rasgada, o Pulmão de Ferro gritando. Foi Klunk que rompeu o combate do esqueleto, golpeando com uma força que partiu pedra e tremeu as paredes. Ele me puxou dali com mãos firmes e sujas, me arrastou para a margem e bateu no inimigo até que o osso não fosse mais ameaça.
Quando a poeira assentou, deram-me o coração daquele esqueleto. Era pesado, não só por carne morta, mas por simbolismo. Segurei-o e senti uma repulsa que me lembrava do juramento em minhas correntes. Usei meu Destruir Maldade com a mesma concentração com que forjo uma lâmina, e o coração se partiu em silenciosas faíscas que não queimaram nem a minha fé nem a minha memória. Sentir aquilo se desfazer foi como encerrar um capítulo que eu não sabia que ainda doía.

Voltei para a superfície mais cansado do que quando parti, e com uma certeza renovada. A forja dentro de mim não é só chama ou destruição. É vigilância, é cuidado com o metal e com o que ele fará. Aquele fogo que me consumira na taverna e a água que me salvou no cemitério me lembraram que equilíbrio é isso, equilíbrio e escolha. Agradeci a Klunk com um aperto de mão que tinha mais história do que palavras. Carrego agora comigo o coração destruído como se fosse cinza de oração, e a convicção de que continuarei forjando para iluminar, nunca para consumir.

Na Visão do ELFO:
Assim que cheguei a Lunarfall, senti meu estômago roncar. Estava morrendo de fome após tanto tempo de caminhada até aquela guarnição. Fui direto à taverna para me alimentar, mas instantaneamente me arrependi de ter colocado meus pés naquele lugar. Mal consigo descrever o que estava acontecendo, mas estava lotado de pessoas esquisitas que pareciam não saber se comportar decentemente. Contudo, também não sei o que eu esperava de um lugar como aquele. Assim que terminei minha comida, um cara enorme que se intitulava Klunk me chamou para me juntar ao bando dele em uma missão ao cemitério e me nomeou como líder do grupo. Só aceitei ir, pois a recompensa para quem concluísse a missão era um alto valor em dinheiro e, como líder, eu poderia tirar proveito daquilo. Ao entrar no cemitério, começamos a descer as escadas e, a cada degrau, aquele lugar ficava mais tenebroso. Após algum tempo, chegamos a uma sala enorme com uma piscina de sangue e, no final, havia uma criatura. Parecia um esqueleto e, pelo que ele disse, esperava pela nossa chegada. Klunk logo foi para cima dele, mas acabou sendo congelado, então todo o resto do grupo se juntou para tentar matar a criatura. O gnomo do nosso bando conseguiu arrancar uma informação valiosa dele. Para matá-lo, bastava apenas arrancar o seu coração, então foi isso que eu fiz. Saltei a piscina de sangue e fui com minha espada pronto para fincá-la no coração da criatura, mas Klunk conseguiu se descongelar e, com um único golpe, matou a criatura, arrancando seu coração. Nesse momento, ainda estamos dentro do cemitério e estamos dispostos a ir até o fim para descobrir o que mais vamos achar aqui dentro.

Na visão do MEIO-ELFO:
Por mais um dia, eu com certeza vou endoidar, tive que encontrar pessoas irritantes e arrogantes, que achavam que sabiam de tudo, mas não sabiam abrir uma porta direito, minha noite começa vendo uma montanha salvando um anão que não estava bem, não sei o motivo, mas não fui atrás de descobrir, só sei que entrei naquele lugar asqueroso que chamam de taberna, entrei e pedi uma refeição com aquele garçom que tem que ficar naquele lugar insalubre sem a presença de lord Angus, morro de pena. Mas fazer o que né, metade daquelas pessoas que ficam naquele lugar já estão perdidas, só eu com a luz de lord Angus para salva-los, após comer meu prato, eu sentia que minha audição estava em completa perdição, pois não conseguia ouvir mais nada, mas só sei que um rapaz que eu vi salvando o anão no começo da noite, o grande Klunk me chamou para se juntar a uma missão com ele rumo ao cemitério com o grupo que ele havia montado, então nós partimos. Ao chegar no cemitério, achamos uma entrada na qual era escura, porém eu conseguia ver, meus companheiros também, então quando entramos, achamos alguns mortos-vivos, criaturas repugnantes, na qual expulsei com facilidade pois são fracos comparados a mim e lord Angus. Após isso, achamos um local nojento cheio de sangue, mas isso obviamente não me assustou, pois já passei por coisa pior. No centro da sala sanguinolenta, havia uma grande criatura, que não parecia muito amigável, ele falou umas palavras na qual não me lembro, não sei se por causa da minha memória ou se era por conta da minha audição comprometida, mas sei que o que ele falou era contra o que eu acreditava como seguidor fiel de lord Angus, então quando vi que meu companheiro de equipe estava intimidando o que eu acredito ser um mago, eu com meu poder concedido por lord Angus, deixei ele cego, apenas para conseguirmos derrotá-lo mais fácil, que foi o que aconteceu, pois Klunk, conseguiu derrotá-lo. Ainda estou na dúvida sobre o que aquela criatura defendia, mas não espero ser coisa boa.

Na visão do ELADRIN:
Nesta manhã, cheguei finalmente a Lunarfall, uma cidade envolta em névoas e mistérios. Dirigi-me de imediato à taberna local, um lugar barulhento e cheio de viajantes de toda sorte. Mal atravessei a porta, testemunhei uma cena insólita: um anão simplesmente começou a pegar fogo, do nada! Antes que eu pudesse reagir, um golias gigantesco o agarrou com uma só mão e o arremessou para fora, direto na fonte diante da taberna, extinguindo as chamas com um estrondo.
Após uma refeição surpreendentemente agradável, fui abordado pelo mesmo golias, que se apresentou como Klunk, acompanhado de um pequeno halfling, um elfo, um ranger, e, para minha surpresa, o próprio anão recém-incinerado, agora vivo e fumegante. Juntos, convidaram-me para formar um grupo de aventureiros. Nosso primeiro destino: o Cemitério Profanado, onde pretendíamos enfrentar as forças que ali se agitavam. Como eu precisava permanecer na região para investigar o Nodo, aceitei sem hesitar.
Partimos então rumo ao cemitério, um local devastado pelo Flagelo, coberto por névoas densas e um silêncio perturbador. Descemos por longas escadarias que se aprofundavam nas entranhas da terra, e logo surgiram os primeiros contratempos, Lins, o halfling, acabou desmaiando pelo caminho. Contudo, o verdadeiro desafio nos aguardava no fim da descida: um colosso esquelético, cujo era uma mago de sangue, Tauro, que parecia nos aguardar do outro lado de um lago imenso de sangue.
Sem hesitar, Klunk saltou para o outro lado e, com um golpe brutal, partiu o crânio da criatura em dois. Mas o triunfo foi breve, o monstro congelou Klunk em um instante e começou a se regenerar. Então, algo inexplicável aconteceu: Lins, de alguma forma, intimidou a aberração, fazendo-a hesitar, como se temesse algo invisível. Após alguns momentos, Klunk libertou-se do gelo, avançou e arrancou o coração pulsante do esqueleto, que se desfez logo depois.

Mesmo separado do corpo, o coração continuava a bater, emitindo uma energia sinistra. Foi então que Escaravelho, o "anão flamejante", com uma prece e um golpe divino, purificou o mal ali contido, fazendo o coração cessar seus batimentos e ali manter a paz no local… ao menos por enquanto.

Na visão do HALFLING: 

Iniciei o dia indo para uma taberna na minha nova cidade, chegando lá vi um homem gigante e com muita aura, resolvi me aproximar e tentar amigar, cheguei e consegui, e depois de duas rodada de uma aposta de dado de cabeça, perdi dinheiro e ganhei, mas conseguimos montar uma equipe, com o Klanq o homem mais orgulhoso que já conheci, depois de nossa equipe montada por alguns arruaceiros, resolvemos ir até um cemitério fazer uma missão, chegando lá vimos rastros negros no chão, logo após resolvemos entrar em uma porta com uma longa escadaria, escuridão completa…. Não vejo mais nada, porém me recordo de alguns barulhos, e bum absolutamente do nada escuto um monstro morrer, sigo em frente e encontro uma armadilha, consigo desarma-lá facilmente, porém ela faz com que escorra um líquido espesso(veneno) coletei em um cantil emprestado pelo meu novo companheiro, e não sei oque fazer com o mesmo porém vou utilizá-lo certo, chegamos em uma sala com um lago enorme de sangue, parecia alguma seita religiosa, encontramos um esqueleto remexendo uma cabeça, meus amigos e eu tentamos atacar mas nada funciona, consegui intimidar ele com minha voz fina e tamanho minúsculo, ele se ajoelha perante mim, e me revela informações muito importantes, conseguimos derrotar ele arrancando o coração dele e destruindo tudo, pegamos sua cabeça para completar a missão, e então mais um dia se acaba, será que vamos conseguir derrotar o dono da seita religiosa?

Na visão do GOLIAS :
KLUNK mata KLUNK destroi
Klunk tava na taberna , Klunk chama anõeszes, elfinhos e outras caras que encontrar para ir atras de mostro no cemiterior, pois Klunk o poderoso ira matar o mostro , Klunk deceu alguns degraus matou bicho, matou outro bicho deceu mais e pulou uma poça de meleca vemelha, Klunk destruiu o mago caveira, arrancou a cabeça e trouxe de volta.



segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A História de Klunk, o Bárbaro de Pedra e Carne

 


Nas montanhas ancestrais de Gromdar, onde os ventos uivavam e os ecos de batalhas passadas ainda ressoavam, vivia uma tribo feroz conhecida como os Filhos da Rocha. Entre eles, um jovem bárbaro se destacava: Klunk, um Golias de pedra e carne, cuja força era tão imensa quanto a própria montanha que habitava. Com músculos esculpidos como granito e um coração pulsante de bravura, Klunk era considerado o futuro líder da tribo.

Desde pequeno, Klunk mostrava um talento extraordinário para a luta. Ele se destacava em torneios, esmagando oponentes e provando sua destreza em combate. Os anciãos da tribo, admirados, viam em Klunk a encarnação de um grande líder, alguém que poderia guiar os Filhos da Rocha para vitórias gloriosas e conquistas épicas.

Contudo, enquanto seus companheiros sonhavam com a grandeza do poder e da liderança, Klunk sentia um chamado diferente. Ele sonhava com o mundo além das montanhas, com aventuras em terras desconhecidas e desafios que testariam não apenas sua força física, mas também sua coragem e astúcia. O peso da liderança não lhe agradava; ele queria ser um guerreiro livre, não um governante.

Em uma noite iluminada por estrelas, a tribo se reuniu para celebrar a cerimônia de passagem de Klunk, onde ele seria oficialmente nomeado líder. Porém, antes que pudesse ser proclamado, ele se levantou e declarou com uma voz poderosa:

— Agradeço pela honra que me oferecem, mas meu destino não está aqui, entre as paredes desta montanha. O mundo é vasto, cheio de desafios e aventuras que clamam por mim. Não quero ser um líder, mas um guerreiro errante!

Os anciãos ficaram perplexos, e os guerreiros murmuraram em descontentamento. Muitos não compreendiam sua decisão, temendo que sua partida significasse a queda da tribo. Mas Klunk, decidido, partiu ao amanhecer, deixando para trás o que conhecia.

A jornada de Klunk levou-o por florestas densas, desertos escaldantes e cidades repletas de perigos. Em cada lugar que visitava, ele enfrentava novos inimigos e desafios, sempre pronto para esmagar cabeças e provar seu valor. Sua fama crescia, e logo se tornava um herói entre os povos que encontrava.

Em uma de suas aventuras, Klunk soube de uma aldeia ameaçada por uma besta colossal que devastava suas colheitas. Ao invés de lutar sozinho, ele decidiu unir os habitantes. Com seu carisma e força, Klunk inspirou a aldeia a se defender. Juntos, eles elaboraram uma estratégia para derrotar a criatura, combinando suas forças e habilidades. No clímax da batalha, Klunk liderou o ataque, não como um chefe autoritário, mas como um verdadeiro irmão em combate. Juntos, conseguiram vencer a besta, salvando a aldeia e conquistando novos aliados.

Com o passar do tempo, Klunk se tornou uma lenda, conhecido não apenas por sua força, mas por sua capacidade de unir os outros e inspirá-los a lutar. Ele percebeu que a verdadeira liderança não se resumia a governar, mas a capacitar outros a se tornarem guerreiros por si mesmos.

Apesar de sua nova vida e das aventuras que vivia, Klunk nunca esqueceu sua tribo. Ele sabia que um dia voltaria a Gromdar, não como um líder, mas como um guerreiro que atravessou o mundo e trouxe consigo histórias e sabedoria. E assim, Klunk continuou sua jornada, enfrentando desafios, esmagando cabeças e sempre em busca de um significado maior para sua existência — um Golias de pedra e carne, forjando seu próprio destino e vivendo a vida que realmente desejava.

Wirt


 Nasceu em um pequenino vilarejo, na agrestia das fadas, rodeado de livros arcanos, quadros e chás — cujo próprio Wirt afirmava ter um gosto péssimo — e com uma seriedade incomum para grande parte do tempo.

O pai era um artista que passava horas inteiras pintando paisagens, animais ou algo referente ao arcano. Vendia os quadros por um preço humilde. A mãe era uma curandeira de grande renome na vila, e o irmão, desde cedo, já mostrava muito interesse e habilidade em magias arcanas. Assim, resolveu tornar-se um mago. Já Wirt sonhava em se tornar um paladino de grande prestígio, apesar de, na época, ser extremamente medroso diante de situações de grandeza ou risco.

Com o decorrer do tempo, todos os olhos se voltavam para Hadarai e seu grande conhecimento sobre o arcano — irmão de Wirt —, apesar de Wirt ser o mais novo.

Em um fatídico dia que parecia normal, nos bosques límpidos desse vilarejo, um infame acontecimento estava prestes a ocorrer. Wirt tinha 14 anos, e Hadarai, 20. Wirt se sentia excluído dos amigos e até da própria família há alguns anos, devido ao fato de tudo continuar monótono em sua rotina, e por não receber a atenção que gostaria. No fim da tarde desse dia, ao passar por trás da casa do comerciante local, a caminho do pequeno riacho, viu ao longe, em uma clareira densa, Hadarai e o que achou ser um amigo dele — mas que, estranhamente, era um gnomo e que nunca tinha visto um caminhando por aquelas redondezas.

A noite caiu rapidamente sobre todos, mas Hadarai não voltou para casa. Passou-se a noite, e ele foi dado como desaparecido. Fizeram-se inúmeras rondas por todos os lados. Passou-se um dia, uma semana, um mês, um ano... e todos aguardavam Hadarai, mas ninguém obteve respostas.

Depois de três anos desse infortúnio, após inúmeras investigações, foi descoberto que esse gnomo pertencia a uma facção arcana secreta chamada A.P.A..

Um cidadão xamã, que afirmava com convicção ser muito prestigiado, refugiado e recentemente acolhido pela vila, ao saber da história de Hadarai, contou à família de Wirt que, há alguns dias, ouvira vozes sobrenaturais vindas dos ventos — talvez de outro plano — e que poderiam ser de membros da A.P.A., sugerindo que Hadarai ainda estivesse vivo.

A cada dia que passava, o vazio da culpa — de sentir que poderia ter evitado todo aquele imprevisto maldito com uma simples ação — crescia de forma descomunal em seu peito.

Alguns dias após receber essa grandiosa e inesperada notícia, Wirt decidiu que dedicaria sua vida a se tornar um mago em homenagem ao irmão. Assim, mergulhou de cabeça nos estudos sobre magias arcanas.

Fugiu do vilarejo sozinho, levando apenas seus pequenos pertences — insignificantes aos olhos de quem o via. A cada dia que passava, o desejo de aprender mais e mais sobre magia crescia, e sua mente tornava-se cada vez mais obcecada, tomada por milhares de perguntas que cobriam qualquer pensamento lógico:

“Meu irmão está vivo?”

“Se sim, ele está bem?”

“Estão o torturando? Explorando? Estudando? Roubando sua força vital?”

E assim se passaram cinco anos de dúvidas e estudos. Nesse meio tempo, tornou-se alquimista — e talvez tenha envenenado, secretamente, alguns gnomos desrespeitosos e grosseiros.

Agora, com 22 anos, notou que, ao entrar em transe, costumava ter algumas visões avulsas que não pareciam levar a lugar algum. Contudo, após aproximadamente duas semanas anotando e fazendo pequenos esboços dessas visões, encontrou uma resposta: uma fonte de mana.

Essa era a charada que faltava. O que aconteceria se encontrasse esse nodo? Será que, ao fazê-lo, poderia fortalecer suas magias de forma grandiosa — ou até atravessar para outro plano? Ou, ao menos, encontrar mais respostas sobre o que tanto o perturba?

No entanto, ele nem sabia se essa fonte realmente existia.

Enfim, esse nodo aparentemente ficava em uma cidadela chamada Lunarfall. Mesmo com chances mínimas, Wirt sentia, no mais profundo de seu ser, que devia ir até lá com todas as suas forças — para esclarecer sua mente ou ser enganado pelo proprio cerébro entrando em colapso.


Thalion Legolas



Thalion Legolas nasceu em uma pequena comunidade ao norte, cercada por bosques e colinas tranquilas. Era um garoto de espírito curioso e coração calmo, filho de uma elfa sábia e de um humano trabalhador. Sua infância foi marcada pela simplicidade e pelo amor de sua irmã mais nova, com quem dividia risos e uma refeição que se tornaria símbolo de saudade: pão com carne feita às escondidas quando queriam se sentir independentes. Mas a inocência durou pouco. Quando Thalion tinha apenas oito anos, sua vila foi atacada por saqueadores. No caos e no fogo, ele presenciou a morte brutal de sua irmã, um trauma que o acompanharia por toda a vida. Desde então, a pureza de sua fé se transformou em algo mais sombrio, uma busca desesperada por equilíbrio e redenção. Sua mãe, ferida e marcada pelo horror, foi enviada junto aos elfos para as Terras do Oeste, atravessando o mar em busca de paz e imortalidade. Thalion ficou para trás, prometendo a si mesmo que um dia encontraria uma forma de fazer a travessia e rever sua mãe. Foi nesse período de solidão que ele ouviu pela primeira vez o chamado de Lorde Angus, o Deus do Equilíbrio. Angus não prometeu consolo nem salvação, apenas propósito. Thalion foi aceito em sua guarnição como clérigo e o deus o encarregou de restaurar o equilíbrio onde ele fosse rompido. O jovem elfo-humano acreditou que sua dor era o preço por compreender a verdade e desde então passou a enxergar a si mesmo como o portador da vontade divina. Com o tempo tornou-se um homem de fé inquebrantável e ego imenso. Ele acredita que apenas ele entende o verdadeiro sentido do equilíbrio e isso o torna tanto inspirador quanto intolerável. Onde há dúvida, Thalion vê heresia, onde há erro vê corrupção. Sua presença é ao mesmo tempo protetora e sufocante, um farol de convicção que cega quem chega muito perto. Mesmo assim, há momentos em que o peso de sua crença o esmaga. Nos raros instantes de solidão ele prepara o mesmo pão com carne que fazia com sua irmã e o sabor o leva de volta a um tempo onde ainda podia rir sem medo de estar pecando. É nesse instante que o homem de fé se revela menino outra vez, frágil, arrependido e cansado. Seu maior medo é trair o equilíbrio de Lorde Angus e sua maior fraqueza é acreditar que já compreendeu tudo. Ainda assim, ele segue em frente atravessando campos, vilas e templos em busca de uma passagem para o Oeste, não apenas para reencontrar sua mãe, mas talvez para reencontrar a parte de si mesmo que ficou presa no dia em que perdeu a irmã

 

Gimlet Scarabaeus "Escaravelho"

 


Gimlet nasceu entre o som dos martelos e o cheiro de carvão, numa pequena oficina de pedra nas encostas do vale cinzento. Filho único de Túlio Roberto, um ferreiro e guerreiro de coração firme, cresceu entre brasas, metal e disciplina. Túlio acreditava que o ferro ensinava melhor que palavras e assim criou o filho com o mesmo rigor com que temperava o aço: calor, paciência e propósito.

Desde pequeno, Gimlet aprendeu o estilo de luta com duas armas, técnica que o pai dizia representar o equilíbrio entre o dever e a compaixão.

Túlio não falava em glória nem em fé, apenas em justiça, a forma mais pura de servir ao mundo. Quando Gimlet completou vinte anos, Túlio foi chamado ao Castelo de Ônix, a morada do Deus do Equilíbrio, Angus.

Angus o havia convidado pessoalmente para ser guardião do castelo, uma função de vigilância e conselho, protegendo o domínio divino e guiando viajantes e estudiosos que buscavam o equilíbrio. Antes de partir, Túlio olhou o filho e disse apenas:

> “Como sua vó já dizia, se cuida meu fih, segue o bom caminho ou eu te lasco o laço"

Com o pai ausente, Gimlet seguiu o chamado que ardia em seu peito e partiu para a Forja Divina de Khalmir, o templo consagrado ao Deus da Justiça. Ali, ele buscou compreender o fogo que sentia dentro de si uma chama que parecia reagir à sua própria alma. Na Forja, Gimlet trabalhou por anos sob o juramento de Khalmir. Moldava armas para templários, julgava aço com o mesmo olhar com que julgava homens. Seu zelo era puro, mas sua fé era exigente, e o fogo de Khalmir queimava cada vez mais forte dentro dele. Até o dia em que o deus caiu. Ninguém sabe dizer como ou por quê, mas quando Khalmir tombou, seu fogo divino procurou refúgio, e encontrou Gimlet. Ele caiu de joelhos na forja, sentindo o peito arder como se o metal dentro dele se tornasse vivo. O fogo penetrou sua carne, e uma criatura branca se enrolou em suas veias antes de desaparecer dentro do corpo. Angus foi quem o encontrou.

O Deus do Equilíbrio olhou para o anão e disse:

> “O fogo da justiça é um peso que ninguém deveria carregar.

> Por isso, vou te dar correntes, e nelas repousará teu castigo e tua salvação.”

 E asim selou Gimlet com correntes incandescentes.. um selo sagrado que queimava noite e dia.

Angus contou-lhe que era uma punição para conter a ira de Khalmir em seu corpo. Mas mentiu. Na verdade, as correntes mantinham adormecido o parasita branco, com seu verdadeiro nome de "Desiderio" um fragmento vivo da dor do deus morto. Anos depois, cansado da guerra e da fé partida, Gimlet se retirou para o norte, nas montanhas geladas. Ali, construiu uma pequena oficina e viveu sozinho, alimentando a forja apenas o suficiente para manter o selo aquecido.

Durante muito tempo, as correntes ardiam.. e o fogo o mantinha vivo.

Mas então o inverno chegou. O frio apagou parte do calor das correntes. E, numa noite em que o vento soava como vozes, Gimlet sentiu algo se mover dentro dele.Um frio rastejante subiu-lhe a espinha. As veias se destacaram sob a pele, brancas como mármore. E dentro do reflexo do metal fundido, viu algo imenso e disforme se contorcendo, um corpo branco, de quatro vezes a sua altura, preso nas sombras da forja. Uma voz ecoou, distante e sem boca:

> “Tu o chamaste de deus.

> Eu o chamo de carcaça.

> O que tu carregas, pequeno ferreiro?"

O fogo reacendeu sozinho. As correntes voltaram a brilhar. Um corte abriu se sob sua barriga, mas não sangrava, apenas estava lá, Gimlet olhou para dentro e lá viu uma coisa, o parasita.

E o parasita adormeceu novamente, saciado pela dor e pelo medo do ferreiro. No dia seguinte quando acordou de um sono muito ruim, Gimlet viu que não havia corte nenhum em sua barriga, então crê que era coisas de sua cabeça. Desde então, Gimlet vive em silêncio.

"Desiderio"

Aaron

 


Aaron nasceu em uma pequena vila élfica, escondida de outras civilizações. Seu pai era um guarda-florestal e mestre arqueiro, um homem de honra e disciplina, responsável por proteger as fronteiras da vila. Sua mãe era uma curandeira. Desde pequeno, Aaron se sentia atraído pelo brilho do ouro e pelo valor de coisas caras. Ele desviava seu olhar das coisas comuns que a vida oferecia e focava completamente em bens materiais, vendo no dinheiro a solução para todos os seus problemas. O desejo de possuir cada vez mais o corrompeu, desviando-o dos ensinamentos de seus pais.

Aos dezesseis anos, pressionado pela vergonha de não corresponder às expectativas familiares, Aaron tornou-se vulnerável aos perigos do mundo: um mercador que passava pela vila lhe ofereceu dinheiro em troca de um “serviço” que era completamente contra sua moral e tudo que lhe tinha sido ensinado desde o começo de sua vida. Mas para Aaron, a oferta era a chance de ter tudo o que ele sempre sonhou, mais dinheiro e poder. Então, sem pensar nas consequências, ele aceitou. Naquela mesma noite, sem pensar muito no que estava fazendo, Aaron fez algo que mudaria sua vida completamente: ele emboscou e matou um homem a pedido do mercador. Fez isso pensando unicamente no pagamento. O trabalho foi feito, limpo e eficiente. Porém, o pagamento não veio. Apenas desculpas esfarrapadas vindas do mercador antes de ele fugir sem cumprir sua parte do acordo. A notícia do assassinato chegou à vila tão rápido quanto aconteceu. Quando a verdade vazou, não apenas sobre o crime, mas quem o fez e os motivos mesquinhos que o guiaram a fazer tal coisa, Aaron foi desprezado por todos da vila. Os aldeões, sentindo-se traídos, o acusaram de vender sua moral por uma pequena quantia de moedas. O mercador? Desapareceu. E Aaron, que acreditou poder comprar respeito com ouro, perdeu tudo: família, lar e sua inocência.

O silêncio que se seguiu depois de tudo foi ainda pior. As vozes que antes o aconselhavam agora o julgavam, e o sentimento persistente de culpa dentro dele o corroía. Mas aquela vontade dentro dele ainda não tinha sido enterrada: Aaron precisava de mais e mais riquezas. Ele cresceu cego pelo dinheiro e por bens materiais, roubando pela sua própria sobrevivência, mas também por prazer.

Agora, aos 26 anos, Aaron foi chamado a Lunarfall, uma guarnição em declínio, por um grupo de jovens aventureiros. Ele foi chamado por um único motivo: mudar de vida. Naquela cidade, ele estava disposto a fazer qualquer missão que o pagasse bem. Sua única motivação era acumular riqueza para não ter que depender de ninguém, por mais que no fundo ele desejasse redenção, ele não conseguia resistir à vantagem do ganho material.

Às vezes, quando o vento sopra das florestas, Aaron sente um arrepio. Ele pensa nos pais que nunca mais verá, na vila que o repudia até hoje e no homem que matou por dinheiro. Mas o som do tilintar das moedas em sua bolsa logo abafa a culpa.


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Half Lins Ecos do Abandono


 A Lenda de Half Lins: Ecos do Abandono A história de Half Lins começa nas sombras da perda e da incerteza, como um sussurro esquecido entre as folhas de uma macieira. O vento daquela manhã parecia mais frio, e o choro da criança recém-abandonada ecoava pelas colinas que cercavam o Castelo de Ônix. Não havia olhos que o vissem, nem mãos que o acolhesse. Apenas o destino, invisível e cruel, que o observava de longe e sorria em silêncio. Assim nascia Half Lins — o menino que aprendeu cedo demais o significado da solidão. Cresceu entre o pó das estradas e o farfalhar das folhas. Quando olhava para o horizonte, sonhava com rostos que nunca vira. Imaginava uma mãe de cabelos dourados e um pai de voz firme, mas eram apenas sonhos, teias frágeis que o tempo desfazia. Os gnomos que o encontraram sob a macieira pareciam enviados por piedade, mas logo se foram, levando com eles o pouco de esperança que Half guardava. “As pessoas sempre vão embora”, ele pensou, e desde então aprendeu a não se apegar. Foi numa tarde chuvosa que o destino lhe mostrou outro rosto. Diante de uma casa coberta de heras e musgo, encontrou um novo lar — ou algo que se assemelhava a isso. Dentro daquela morada sombria viviam espiões, ladrões, assassinos e diplomatas da escuridão. Era o covil da guilda Sun Fay, o império das sombras. Ali, Half foi acolhido por Anthony, o homem que o mundo chamava de Toninho Gaivota. Ele não ofereceu carinho, mas deu algo mais valioso: ensinamentos. “O mundo pertence a quem sabe esperar nas sombras”, dizia. “Mas jamais traia a si mesmo.” Toninho era um homem duro, moldado pela vida e quebrado por perdas antigas. Via em Half algo que lembrava seu próprio passado: um olhar que misturava medo e coragem. Com o tempo, mestre e aprendiz criaram um laço. Não de sangue, mas de sobrevivência. Half aprendeu a lutar, a mentir, a sorrir quando a dor apertava o peito. E, no fundo, esperava que um dia Toninho dissesse: “Tenho orgulho de ti.” Mas essas palavras nunca vieram. Aos dezoito anos, Half já era vice-líder da guilda. Carregava nos ombros a reputação de um prodígio e a alma de um órfão. A cada roubo, a cada missão, sentia que algo lhe escapava — como se roubasse dos outros apenas para preencher o próprio vazio. À noite, sentado sobre os telhados da cidade, olhava o colar de diamante pendurado no peito e sussurrava: “Por que me deixaste, mãe?” Mas o vento, como sempre, não respondia. Quando Toninho adoeceu, o castelo de certezas de Half começou a ruir. Ele o velou por dias, sem dormir, tentando impedir o inevitável. Nas últimas horas, o velho ladrão o chamou e disse, com voz trêmula: “Meu filho… há luz até mesmo nas sombras.” Essas foram as últimas palavras de Toninho Gaivota. Quando a mão dele caiu imóvel, Half sentiu que uma parte de si morria junto. Naquele dia, o menino que buscava amor tornou-se o homem que buscaria redenção. Sob o comando de Half, a Sun Fay prosperou. Tornou-se uma rede de espiões, ladrões e informantes espalhados por reinos distantes. Os poderosos o temiam, e os pobres o reverenciavam. Mas o trono das sombras é frio, e a solidão reina em silêncio. Mesmo cercado de aliados, Half se via cada vez mais distante de si mesmo. Os rostos dos companheiros tornaram-se sombras, risos e ecos. E o colar — aquele pequeno diamante herdado do abandono — começou a pesar mais do que nunca. Aos vinte e três anos, algo o chamou de volta ao ponto de origem: o Castelo de Ônix. Ele se disfarçou entre mercadores e chegou às muralhas escuras, onde sentiu o coração bater de forma estranha. O vento murmura seu nome. Talvez a verdade o esperasse lá dentro. Mas ele recuou. Tinha medo. Não do que encontraria, mas do que deixaria de ser ao descobrir. Às vezes, conhecer o passado é o mesmo que perder o futuro. Aos vinte e cinco anos, sua fama já ultrapassou fronteiras. Um espião de apenas um metro e cinco, invisível aos olhos, rápido como o vento. Os rumores diziam que seu sangue era misto, que sua mãe fora uma fada que se apaixona por um homem mortal. Talvez por isso ele nunca envelhecesse, talvez por isso o destino o perseguisse. Nas noites silenciosas, ele jurava ouvir uma voz feminina chamando seu nome — uma voz doce e triste, como se viesse de outro mundo. Aos trinta, o tempo lhe apresentou uma nova encruzilhada. Em um sonho vívido, o deus dos Portais, Lorde Angles, apareceu envolto em névoa e luz. “Há uma vila que clama por ti, Half Lins”, disse. “Mas lá, não encontrarás tesouros. Encontrarás verdades.” E o deus o enviou para Lunarfall, um lugar que não existia nos mapas, onde o céu parecia chorar estrelas e as montanhas sussurravam memórias. Half partiu, deixando tudo para trás — a guilda, os amigos, a glória. Carregava apenas o colar e o peso de todas as perguntas sem resposta. A viagem foi longa e solitária. Em cada vila, via reflexos de si mesmo: crianças abandonadas, velhos esquecidos, corações em busca de amor. Pela primeira vez, entendeu que sua dor não era única — era humana. Quando chegou a Lunarfall, encontrou uma vila mergulhada em neblina e silêncio. As casas pareciam respirar, e o tempo se curvava sobre si mesmo. À noite, sonhava com o rosto de Toninho e o sorriso de uma mulher que nunca conhecera. Um dia, caminhando pelo bosque, encontrou uma árvore retorcida e frutífera — uma macieira. Ao se aproximar, sentiu algo em seu peito vibrar. E ali, no tronco, estava gravado um nome: “Half”. Ele ajoelhou e chorou. Chorou por todas as vezes que fingiu ser forte, por todos os abraços que não teve, por todas as despedidas que nunca disse. Chorou até que o colar brilhasse e uma voz suave ecoasse: “Meu filho, eu sempre te vi.” Por um instante, ele sentiu o toque quente de uma mão invisível e o perfume de maçãs no ar. Era ela. Era sua mãe. Naquele momento, Half entendeu que o abandono não era o fim — era o início da busca por si mesmo. E, quando o sol nasceu sobre Lunarfall, ele caminhou para dentro da névoa, sem olhar para trás. Dizem que nunca mais foi visto. Alguns afirmam que ascendeu entre os deuses; outros, que vive nas sombras, guiando os perdidos. Mas todos concordam em uma coisa: onde há um coração ferido, há um sussurro de Half Lins, o menino que transformou a dor em lenda