Nasceu em um pequenino vilarejo, na agrestia das fadas, rodeado de livros arcanos, quadros e chás — cujo próprio Wirt afirmava ter um gosto péssimo — e com uma seriedade incomum para grande parte do tempo.
O pai era um artista que passava horas inteiras pintando paisagens, animais ou algo referente ao arcano. Vendia os quadros por um preço humilde. A mãe era uma curandeira de grande renome na vila, e o irmão, desde cedo, já mostrava muito interesse e habilidade em magias arcanas. Assim, resolveu tornar-se um mago. Já Wirt sonhava em se tornar um paladino de grande prestígio, apesar de, na época, ser extremamente medroso diante de situações de grandeza ou risco.
Com o decorrer do tempo, todos os olhos se voltavam para Hadarai e seu grande conhecimento sobre o arcano — irmão de Wirt —, apesar de Wirt ser o mais novo.
Em um fatídico dia que parecia normal, nos bosques límpidos desse vilarejo, um infame acontecimento estava prestes a ocorrer. Wirt tinha 14 anos, e Hadarai, 20. Wirt se sentia excluído dos amigos e até da própria família há alguns anos, devido ao fato de tudo continuar monótono em sua rotina, e por não receber a atenção que gostaria. No fim da tarde desse dia, ao passar por trás da casa do comerciante local, a caminho do pequeno riacho, viu ao longe, em uma clareira densa, Hadarai e o que achou ser um amigo dele — mas que, estranhamente, era um gnomo e que nunca tinha visto um caminhando por aquelas redondezas.
A noite caiu rapidamente sobre todos, mas Hadarai não voltou para casa. Passou-se a noite, e ele foi dado como desaparecido. Fizeram-se inúmeras rondas por todos os lados. Passou-se um dia, uma semana, um mês, um ano... e todos aguardavam Hadarai, mas ninguém obteve respostas.
Depois de três anos desse infortúnio, após inúmeras investigações, foi descoberto que esse gnomo pertencia a uma facção arcana secreta chamada A.P.A..
Um cidadão xamã, que afirmava com convicção ser muito prestigiado, refugiado e recentemente acolhido pela vila, ao saber da história de Hadarai, contou à família de Wirt que, há alguns dias, ouvira vozes sobrenaturais vindas dos ventos — talvez de outro plano — e que poderiam ser de membros da A.P.A., sugerindo que Hadarai ainda estivesse vivo.
A cada dia que passava, o vazio da culpa — de sentir que poderia ter evitado todo aquele imprevisto maldito com uma simples ação — crescia de forma descomunal em seu peito.
Alguns dias após receber essa grandiosa e inesperada notícia, Wirt decidiu que dedicaria sua vida a se tornar um mago em homenagem ao irmão. Assim, mergulhou de cabeça nos estudos sobre magias arcanas.
Fugiu do vilarejo sozinho, levando apenas seus pequenos pertences — insignificantes aos olhos de quem o via. A cada dia que passava, o desejo de aprender mais e mais sobre magia crescia, e sua mente tornava-se cada vez mais obcecada, tomada por milhares de perguntas que cobriam qualquer pensamento lógico:
“Meu irmão está vivo?”
“Se sim, ele está bem?”
“Estão o torturando? Explorando? Estudando? Roubando sua força vital?”
E assim se passaram cinco anos de dúvidas e estudos. Nesse meio tempo, tornou-se alquimista — e talvez tenha envenenado, secretamente, alguns gnomos desrespeitosos e grosseiros.
Agora, com 22 anos, notou que, ao entrar em transe, costumava ter algumas visões avulsas que não pareciam levar a lugar algum. Contudo, após aproximadamente duas semanas anotando e fazendo pequenos esboços dessas visões, encontrou uma resposta: uma fonte de mana.
Essa era a charada que faltava. O que aconteceria se encontrasse esse nodo? Será que, ao fazê-lo, poderia fortalecer suas magias de forma grandiosa — ou até atravessar para outro plano? Ou, ao menos, encontrar mais respostas sobre o que tanto o perturba?
No entanto, ele nem sabia se essa fonte realmente existia.
Enfim, esse nodo aparentemente ficava em uma cidadela chamada Lunarfall. Mesmo com chances mínimas, Wirt sentia, no mais profundo de seu ser, que devia ir até lá com todas as suas forças — para esclarecer sua mente ou ser enganado pelo proprio cerébro entrando em colapso.

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