Thalion Legolas nasceu em uma pequena comunidade ao norte, cercada por bosques e colinas tranquilas. Era um garoto de espírito curioso e coração calmo, filho de uma elfa sábia e de um humano trabalhador. Sua infância foi marcada pela simplicidade e pelo amor de sua irmã mais nova, com quem dividia risos e uma refeição que se tornaria símbolo de saudade: pão com carne feita às escondidas quando queriam se sentir independentes. Mas a inocência durou pouco. Quando Thalion tinha apenas oito anos, sua vila foi atacada por saqueadores. No caos e no fogo, ele presenciou a morte brutal de sua irmã, um trauma que o acompanharia por toda a vida. Desde então, a pureza de sua fé se transformou em algo mais sombrio, uma busca desesperada por equilíbrio e redenção. Sua mãe, ferida e marcada pelo horror, foi enviada junto aos elfos para as Terras do Oeste, atravessando o mar em busca de paz e imortalidade. Thalion ficou para trás, prometendo a si mesmo que um dia encontraria uma forma de fazer a travessia e rever sua mãe. Foi nesse período de solidão que ele ouviu pela primeira vez o chamado de Lorde Angus, o Deus do Equilíbrio. Angus não prometeu consolo nem salvação, apenas propósito. Thalion foi aceito em sua guarnição como clérigo e o deus o encarregou de restaurar o equilíbrio onde ele fosse rompido. O jovem elfo-humano acreditou que sua dor era o preço por compreender a verdade e desde então passou a enxergar a si mesmo como o portador da vontade divina. Com o tempo tornou-se um homem de fé inquebrantável e ego imenso. Ele acredita que apenas ele entende o verdadeiro sentido do equilíbrio e isso o torna tanto inspirador quanto intolerável. Onde há dúvida, Thalion vê heresia, onde há erro vê corrupção. Sua presença é ao mesmo tempo protetora e sufocante, um farol de convicção que cega quem chega muito perto. Mesmo assim, há momentos em que o peso de sua crença o esmaga. Nos raros instantes de solidão ele prepara o mesmo pão com carne que fazia com sua irmã e o sabor o leva de volta a um tempo onde ainda podia rir sem medo de estar pecando. É nesse instante que o homem de fé se revela menino outra vez, frágil, arrependido e cansado. Seu maior medo é trair o equilíbrio de Lorde Angus e sua maior fraqueza é acreditar que já compreendeu tudo. Ainda assim, ele segue em frente atravessando campos, vilas e templos em busca de uma passagem para o Oeste, não apenas para reencontrar sua mãe, mas talvez para reencontrar a parte de si mesmo que ficou presa no dia em que perdeu a irmã

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